ANI repudia atos de violência contra profissionais da imprensa.

A ANI está encaminhando ao Ministério da Justiça e entidades da Defesa dos Direitos Humanos, um pedido de Providencias, requerendo a imediata apuração e punição dos agressores.

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(...) Segundo a ONG, desde o início do ano, pelos menos 29 jornalistas ou blogueiros foram mortos no mundo e 163 foram sequestrados e presos. Em 2011, o número chegou a 67 assassinatos.

O presidente da Associação Nacional e Internacional de Imprensa – ANI, Roberto Monteiro Pinho, em nota oficial, protestou pela onda de violência contra os jornalistas, repórteres, fotógrafos e cinegrafistas. O documento aponta que esses atos, ferem frontalmente o artigo 5° - incisos VIII e IX da Constituição da República, e por isso mesmo, deve ser apurado, julgado e punido com a regra máxima dos que violam os direitos civis, profissionais e a Liberdade de Expressão.

O estado de Direito e Democrático não pode ser ameaçado como o cerceio do exercício da profissão, e sendo a que trabalha com a informação, a mais valiosa no contexto do acesso a informação. Ao coibir com violência o trabalho dos profissionais durante a cobertura de eventos públicos, em locais públicos, aqueles que se insurgem, estão na contramão da liberdade de expressão, o acesso as informações e dos direitos humanos.

A ANI está encaminhando ao Ministério da Justiça e entidades da Defesa dos Direitos Humanos, um pedido de Providencias, requerendo a imediata apuração e punição dos agressores. Para que não haja dúvida sobre o processo instaurado e seu curso, a ANI vai designar advogados da instituição para acompanhar o desfecho das investigações.

O documento relata a sequencia de atos de violência contra esses profissionais, cita os mídias sociais, bloguistas e os repórteres independentes.

Jornalistas e repórteres agredidos em Vitória - ES

No dia 10 de maio três profissionais da imprensa foram brutalmente agredidos e tiveram seus equipamentos danificados, durante o trabalho na cobertura da manifestação pró-Dilma na cidade de Vitória - ES. Dois repórteres e um cinegrafista foram atacados com socos e pontapés quando tentavam registrar uma confusão que se formava entre grupos pró e contra governo.

Parte dos manifestantes tentaram impedir que cinegrafistas registrassem a ação. Foram deferidos, por parte dos manifestantes chutes contra o repórter da TV Tribuna, Geilson Ferreira, e André Falcão, da TV Gazeta. Já a repórter Suellen Araújo, da TV Vitória, foi atingida durante uma entrada ao vivo. Além disso, foi lançada uma bomba contra um dos repórteres.

Em nota o Sindicato dos Jornalistas capixaba repudiou a truculência dos manifestantes, “esses manifestantes confundem a posição das empresas de comunicação com o trabalho legitimo dos jornalistas” – diz a nota. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), e a Associação de Jornais (ANJ) repudiaram os atos de violência.

Os repórteres no mundo

De acordo com os números da ONG internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a cada cinco dias um jornalista PE morto ao redor do mundo durante o exercício da profissão. A organização aperta para a crescente onda de violência contra a imprensa, seja em páreas de conflito como a Líbia ou o Iraque, seja em países que gozam de plena liberdade democrática, como Brasil e México.

Segundo a ONG, desde o início do ano, pelos menos 29 jornalistas ou blogueiros foram mortos no mundo e 163 foram sequestrados e presos. Em 2011, o número chegou a 67 assassinatos.

Segundo o último relatório divulgado pela organização americana Committee to Protect Journalists (CPJ), o Brasil é o 11º país do mundo com o pior índice de impunidade em crimes contra os jornalistas. De acordo com a organização, o Brasil acumula cinco casos de homicídios não solucionados de jornalistas para uma população de 194,9 milhões de habitantes.

Apesar de o Brasil não ser uma área de conflito civil armado, o país ocupa a quarta posição no ranking de jornalistas vítimas de violência fatal neste ano. O país registrou até agora pelo menos três novos casos do gênero, perdendo apenas para a Somália (seis mortes), México (cinco mortes) e Síria (quatro mortes). Os números da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) são ainda maiores e dão conta de pelo menos quatro casos no Brasil em 2012. Desde 1987, o país contabiliza 43 mortes e um desaparecimento

A violência contra jornalistas no país é caracterizada pela ação de milicianos, traficantes ou oligarquias políticas e fundiárias, que encomendam os crimes. O caso mais recente foi o do radialista Valério Luiz de Oliveira, morto com cinco tiros no dia 5 de julho em frente à emissora em que trabalhava, em Goiânia.

No Maranhão, no dia 23 de abril, o jornalista e blogueiro Décio Sá foi assassinado com seis tiros em um restaurante na avenida Litorânea, em São Luís, capital do estado. A polícia suspeita que o crime tenha ocorrido a mando do deputado estadual Raimundo Cutrim (PSD-MA).

Em 2008, uma equipe do jornal O Dia, do Rio de Janeiro, foi sequestrada por milicianos na favela do Batan, em Realengo, zona oeste da capital fluminense. Abordados por homens encapuzados dentro da favela, repórter, fotógrafo e motorista foram mantidos reféns por mais de sete horas. Eles foram interrogados e torturados com choques elétricos, tendo sido sufocados com saco plástico, recebido socos e pontapés, além de ameaças de morte por roleta russa.

A mesma sorte não teve o videocinegrafista Gelson Domingos, da TV Bandeirantes, que morreu durante uma troca de tiros entre policiais e traficantes na favela de Antares, na zona oeste do Rio, em novembro de 2011. Gelson foi vítima de um tiro de fuzil que perfurou o colete à prova de balas.

Texto da redação anipress.

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